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O caminho de olhos abertos

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Vejo a cada dia mais pessoas clamando pelo seu fim, pelo sua morte, desejosas do dia de amanhã. Nas conversas no trabalho, e em todos os cantos, sempre pessoas desejam que chegue logo o amanhã – as vezes a noite, o final de semana, as próximas férias -, todas demonstram muito cansaço e tédio por seus dias. Peguei-me a questionar-me acerca das escolhas feitas por cada uma destas pessoas. Cada uma delas foi conduzida até onde está por meio de escolhas, de bifurcações em seus caminhos que as levaram, inevitavelmente, ao lugar em que se encontram hoje. Cabe saber, nesta caminhada que trouxe cada uma delas até onde estão, se as escolhas foram conscientemente feitas por cada uma delas, e até se foram feitas as escolhas por elas, ou se foram apenas guiadas roboticamente até o local onde hoje se encontram. Na literatura metafísica que temos, seja new age, seja xamanica, seja mágica, temos em comum aquilo que se chama lenda pessoal, caminho do coração, e tantos outros adjetivos que...

Um inesperado encontro

As coisas no universo são assim um tanto quanto estranhas. As vezes não sacamos essa parada de mistério, por um motivo ou outros absortos em nossas vidas cotidianas, contas, amores, prazeres, dores, etc. Mas eis que, em um momento ou outro na vida nos deparamos com a tal da espiritualidade. Não falo aqui de religião, nada ao humano assim, mas não descarto, no entanto, que a espiritualidade possa vir deste desvio humano no caminho para Deus que são as religiões. Mas voltemos ao momento do encontro. Eis que nos vemos diante de uma necessidade antes não percebida de conectar-se com algo, sentimo-nos na ante-sala de um segredo oculto que parece, a cada passo estar para se revelar para nós, sem sabermos como, quando, onde ou mesmo os porquês. Somos todos fadados a tomar o particular por universal, e também o faço aqui, poderia me esquivar por eufemismos lingüísticos em terceiras pessoas ou mesmo em segundas para dizer que não falo de minha própria caminhada, mas todo texto tem um quê de au...

O presente da vida

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O mundo é o que percebemos do mundo. Talvez esta seja uma das declarações mais transcendentais da obra de Castaneda, na síntese dos conhecimentos que a ele foram passados pelo velho Nagual Juan Matus. Todos, de alguma forma, deveríamos entender este conhecimento, é algo inerente de nossa condição de percebedores. Diante de todos os sinais que recebemos do mundo, apenas alguns são tidos como essenciais para nós, como relevantes, e destes selecionamos quais colocaremos a nossa atenção. Consciência é exatamente esta escolha dentro do campo de percepção, é a ênfase dada a uma determinada percepção. O conjunto destas percepções compõem o nosso campo que chamamos vida. Se alguém fala que a vida está ruim, ou que a vida está boa, isso representa uma definição inconsciente de seleções que esta determinada pessoa vem fazendo diante de suas quase que infinitas possibilidades. Por isso é fácil identificar que temos pessoas que exultam alegria e plenitude mesmo vivendo em condições so...

As brumas da ilusão

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As vezes nos perdemos por sobre a escuridão que nos envolve. Não falo da escuridão em termos pejorativos, como comumente é utilizada, falo da ausência de conhecer, da ausência de iluminação da consciência sobre a nossa própria caminhada. As pessoas são assim, em sua grande maioria, na maior parte de suas vidas, apenas tateiam por um caminho que sequer enxergam – ora perdidas na obscuridade de um amanhã, ora no turbilhão  já modificado pelas memórias do que foi ontem -, assim, distam-se da capacidade de conhecer o que as está cercando, o seu momento, a hora da transcendência e da transformação, e perdidas seguem automaticamente pela vida, trocando o presente da presença pela obscuridade dos infinitos “ses” que se transmutam e se distam um passo a cada passada dada pelo caminhante: inatingível, pois irreal. Não é raro que isso ocorra, poucos são os que tem a inflexível vontade de seguir. Assome-se isso à grande capacidade que tem a sociedade de nos obliterar a visão para a...

Um passo da liberdade

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A grande questão, o grande cerne da vida talvez seja o controle, a possibilidade de andarmos deliberadamente pela vida fazendo escolhas conscientes. Por um lado temos então que ter a consciência, a plenitude de saber as possibilidades que nos assistem, para além das ilusões para só então podermos tomarmos as decisões sobre a nossa caminhada. Não há nada além disso nesta caminhada, em um primeiro momento, que deva ser tema de nossas deliberações, tudo o mais se torna efêmero para além destes dois passos. Venho me questionando muito acerca deste processo que somos guiados nesta vida. Por entre um dia e outro o que acontece na caminhada das pessoas? O que podemos ver, por simples observação é a turvação da mente com atribulações quase que automaticamente impostas a todos nós. A fórmula se repete incessantemente, é repetida de forma maçante até, de maneira que se internaliza em nossas vidas desde muito cedo. Parece que somos guiados a um só propósito que nos está matando com...