MORTE E RENASCIMENTO

Era dezembro de 2008, eu estava no Acre, no meio da floresta, já imerso nos efeitos da mestra ayahuasca. Eu via as pessoas ali, cantando, rodando, testemunhando aquele mundo mágico que eu também experimentava. Contudo, tudo isso representava apenas uma fina barreira que tínhamos ultrapassado. Pedi à mestra que me mostrasse mais, eu queria ir além, ultrapassar as fronteiras do homem e talvez até mais. Assim, iniciei uma jornada intensa. Sentia o que todos sentiam ali, tornava-me parte do todo, de cada indivíduo, e percebia o mundo de maneiras diversas. Minha filha era pequena e dormia com minha esposa em algum lugar próximo. Minha esposa estava chateada, não gostava, assim como não gostava de nada espiritual. Então, percebi o mundo sob a ótica dela. Era caótico, sentia o medo e via tudo sem sentido, como ela via. Entendi sua razão e o motivo de não apreciar o mundo espiritual, sob a perspectiva dela; nada ali fazia sentido. Eram pontos de vista, cada um com seu punhado, e s...