A morte em vida
Há, pois, a necessária descrição de minha morte em vida. Não o faço, contudo, como forma de justificação alguma a quem quer que seja, o faço, no entanto, como compromisso que detenho ainda com o abstrato, mantido pela parte mais íntima de meu ser, aquela intangível parte imaterial, que determina o que sou, hoje, mais do que determina a carne, as vestes, as rugas – meras descrições fugazes que se apagam, dia pós dia, na marcha inevitável do tempo. Meu compromisso é com o perene, e o perene enquanto sei, por não saber do amanhã se também o será. Perenidade é, pois, manifestação do otimismo do ser que acredita no porvir. Este espaço no qual escrevo é também o que sou. Essencial se faz que eu aponte tais questões, em sendo aqui o que transborda de minha vida, o que desejo que se revele a estranhos que aqui visitam, que muito certamente nunca verei, vi ou saberei, mas sabem de parte tão essencial a mim. É importante ainda que eu pontue, dado as apresentações, que tudo que se ...